quarta-feira, 10 de agosto de 2011

CONSEQUÊNCIAS




Como uma venda cobrindo por completo sua visão o mundo está cego pela sede de satisfazer seus desejos pessoais. Cada dia que passa pensar no outro fica mais distante da essência do ser humano. A mídia propaga e enaltece aqueles que esquecem dos valores ensinados a nossos avós, ou melhor, bisavós, porque hoje em dia temos avós de 30 anos, já fazendo parte dessa geração influenciada pela ilusão de ouvir seu coração. O certo virou errado e o errado certo, ser honrado, altruísta, digno, humilde, honesto, casto, em fim ter essas qualidades é sinônimo de burrice ou fraqueza. O lema do mundo hoje é: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu e depois eu e mais eu .. e que se dane o resto . Quem hoje em dia liga pras conseqüências? Acho que essa palavra foi extinta do vocabulário de milhões e milhões de pessoas na face da terra. Pensar no que suas ações trarão futuramente, sejam coisas boas ou ruins, como afetará os outros a sua volta, não faz mais parte do “certo” para o mundo, o “certo” é simplesmente fazer, esquecer o depois, se entregar e fazer o que quiser isso que a maioria infelizmente pensa. O que vejo são as pessoas levando a vida com total frivolidade, futilidade, sem expectativa nenhuma, conceito que fica claro no bordão “viva o hoje”. Ta ai um dos motivos de haver tanto sofrimento. E digo isso por experiência própria, pois achar que seus desejos e vontades pessoais são mais importantes que tudo não traz felicidade, pelo contrário traz frustração. Às vezes me pergunto como podem achar que essa vida é tudo que existe? Que o importante é só aproveitar essa vida breve? Que, aliás, digas se de passagem quão breve ela é né. Essa vida é como a brisa da manhã de inverno, vem e vai muito rápido, e as pessoas ainda querem usá-la de modo errado. Será que elas não pensam que esse pouco se feito da melhor maneira possível pode dar a CONSEQUÊNCIA a muito mais depois? Em fim, o que sei é que as pessoas esqueceram que além da vida há quem dita o fim do jogo, e mais importante, que nossos desejos, prazeres, vontades devem vir depois das Dele. E só quando estabelecermos as prioridades certas teremos pelo menos a esperança de não usufruirmos essas breve e incerta vida.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TEMPO



Quando um dilema se mostra, logo a solução lhe é proposta, o TEMPO ! Quem há de negar que o tempo é rei, imponente, poderoso, direto e majestoso, mas assim como uma espada de dois gumes afiada,  em sua outra vertente o tempo é cruel, displicentes, calculista e indiferente . O tempo em suas faces lhe propõe escolhas, decisões, que quando tomadas dão conseqüência ao nosso caminho - daí o ato que chamamos de viver. O tempo une mas separa ; o tempo afaga, mas surra ; o tempo vence, mas derrota ; o tempo pode te suprir, mas também carece ; o tempo acrescenta, mas subtrai ; o tempo intensifica, mas aplaca ; o tempo constrói, mas destrói ; o tempo dá a certeza, mas traz suspeita, o tempo te faz esquecer, mas torna lembranças inesquecíveis ; o tempo te oferece, mas te tira ; o tempo te mostra, mas também oculta ; o tempo te recorda, mas renova  .. e nessas ambigüidades ele vai nos proporcionando escolher que rumo o nosso cainho irá tomar. Nesse caminho muitos passam – alguns ficam ou se vão, muitas pedras surgem - pulamos ou tropeçamos, e do combustível precisamos pra seguir – o mais puro amor, e nessas particularidades de cada caminho é que se vê a qual vertente do tempo você escolheu, te dando suas características e individualidades, e todos os acontecimentos de sua vida. O tempo nos move a caminhar, mas nossas escolhas ditam o ritmo e os destinos irão tomar, mas sempre a um único objetivo, comum a qualquer ser, no fim de tudo encontrar a felicidade.
Aprendi a amar menos, o que foi uma pena, e aprendi a ser mais cínica com a vida, o que também foi uma pena, mas necessário. Viver pra sempre tão boba e perdida teria sido fatal.


(Tati Bernardi )

quarta-feira, 20 de julho de 2011

muitos sentem, poucos entendem .





"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”

( Caio Fernando Abreu )

terça-feira, 19 de julho de 2011

Aprenda com Ele .



Escrito por uma criança angolana:
Quando eu nasci, era preto.
Quando cresci, continuei preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer, continuarei sendo preto!
E você, cara Branco?
Quando nasce, você é rosa.
Quando cresce, você é branco.
Quando você pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, você fica roxo.
Quando você se assusta, fica amarelo.
Quando você está doente, fica verde.
Quando você morrer, você ficará cinzento!
E você ainda vem me chamar de homem de cor?
(henriqueb)
 AMIGUINHO, EU TE RESPEITO!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Então quase vomito e choro e sangro quando penso assim. Mas respiro fundo, esfrego as palmas das mãos, gero energia em mim. Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:

- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce. 


( Caio Fernando Abreu )